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Cinco motivos para uma empresa de TI participar de um Hackathon

Marcus Rossetti é CEO da Blocks e membro do Conselho Editorial da Channel 360º

Hackathons são uma febre, crescendo e se popularizando na esteira da onda da Inovação Corporativa. Em grandes centros, como São Paulo ou Rio de Janeiro, dificilmente uma semana se passa sem que uma empresa renomada realize algum deles, mas inúmeras cidades de médio porte espalhadas pelo país também têm promovido Hackathons nos mais diversos formatos, provando que essas dinâmicas deixaram de ser uma atividade restrita ao nicho das Stratups e conquistaram corações e mentes dos executivos das grandes empresas.

O que muitos não se deram conta é que, deixando de lado suas origens técnicas onde Hackathons significavam um monte de programadores ao redor de uma mesa comendo pizzas e escrevendo código, os Hackathons atuais são principalmente desafios de negócios. Áreas como RH, Marketing, Logística, Finanças e até o Jurídico começaram a aderir ao conceito mais amplo de Open Innovation, e perceberam que trazer parceiros para ajudar a pensar soluções para seus dilemas poderia render excelentes frutos.

Mas por que uma empresa de TI deveria participar de um Hackathon de negócios? Afinal, empresas de Tecnologia não entendem de negócios, e quando todas as dinâmicas forem concluídas essas áreas de negócios serão obrigadas a chamar as suas áreas de Tecnologia para implantar alguma solução, e nesse ponto nós seremos chamados para mostrar nossos produtos como sempre aconteceu, certo? Errado. O mercado mudou, seus clientes mudaram, e as áreas de negócios ganharam enorme autonomia no desenho e escolha de soluções, especialmente as mais inovadoras.

Aqui vão quatro bons motivos para uma empresa estabelecida de TI participar, mesmo que esporadicamente, de Hackathons:

Uma forma de testar e ampliar conhecimentos de processos de negócio

Não existe melhor forma de mergulhar na realidade e nos processos de negócios do que um Hackathon, a necessidade de se preparar para entender e analisar os desafios que serão expostos obriga os participantes a sair da análise superficial e se aprofundar nos “comos” e “porquês”, um aprendizado que costuma render frutos positivos por muito tempo depois da dinâmica.

Um ambiente para debater problemas em seus estágios iniciais

Quando somos chamados pela área de TI para apresentarmos uma “solução” para um projeto de negócios, estamos na realidade sendo chamados para apresentarmos produtos e serviços para uma solução que já foi concebida muito antes da nossa chegada, para um problema de negócio que talvez nem cheguemos a conhecer por inteiro. Hackathons são a oportunidade de conhecermos de perto os problemas reais de negócios que originam boa parte dos nossos projetos, e isso é um aprendizado essencial.

Uma oportunidade de exercitar a análise de cenários e o desenho colaborativo de soluções

Prospecção, vendas, pré-vendas, proposta e delivery, essa é a linha de produção compartimentada que sustenta as empresas de TI, e ao mesmo tempo é o que nos afasta das necessidades reais dos clientes e nos impede de pensar fora da caixa. Um time tradicional que participa de um Hackathon é diversificado e não hierárquico, profissionais de vendas, de pré-vendas e de projetos precisam, por algumas horas, deixar seus processos de lado e focarem juntos e em tempo real no problema do cliente. O sucesso num Hackathon depende de agilidade, trabalho colaborativo, criatividade e extremo foco no problema a ser resolvido, e as equipes que participam dessas dinâmicas lavam esse aprendizado consigo.

Uma maneira de exercitar o processo de Inovação

Inovação não é uma tecnologia nova, inovação é uma forma de pensar, uma postura, uma atitude, e incorporar essa cultura aos processos corporativos é um imenso desafio. Nesse sentido, Hackathons são uma “sacudida” periódica na mesmice e na acomodação que lentamente enferrujam as empresas.

 

 

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Multicloud Provisionamento e Gestão de Ambientes Híbridos

Lenildo Morais é Mestre em Ciência da Computação pelo Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco. Pesquisador do Laboratório de Tecnologias de Investigação ASSERT – Sistema Avançado e Engenharia de Software, é também Gerente de Projetos da Ustore – Empresa do Porto Digital de Pernambuco, e membro do conselho editorial da Channel 360°

A nuvem deixou de ser tendência e se tornou realidade nas empresas brasileiras. Assim como em outros países, a abordagem preferida pelas empresas por é a chamada multicloud, isto é, uso de serviços com mais de um fornecedor, conforme as demandas gerais do negócio ou de cada um dos seus departamentos. Arquiteturas de TI desse tipo, combinando melhor custo e capacidade de diferentes nuvens, representam um grande percentual dos ambientes tecnológicos das empresas nos próximos anos. Trabalhar com diversos modelos de nuvem tem aumentado a complexidade das estratégias de gerenciamento nas empresas. Saber como resolver esse desafio é essencial.

A nuvem fornece uma forma simples e segura para se acessar e gerenciar dados e arquivos e, após a transformação digital, em que as empresas estão na corrida para se aprimorar e adotar as novas tecnologias do mercado, o ambiente virtual tem se tornado parte essencial das estratégias de negócios. Muitas empresas optam por combinar serviços em ambientes híbridos e usam nuvens públicas, privadas e, também, infraestruturas locais. Devido a essa complexidade de ambientes, tem se tornado essencial que a TI assuma o papel de implementar uma estratégia de gerenciamento abrangente de Cloud Computing.

1.    Armazenamento em Nuvem

A computação em nuvem é a solução encontrada por muitas empresas para alavancar os negócios, que nada mais é do que um servidor virtual que oferece recursos computacionais que operam de maneira isolada e independente. Quando se fala em computação nas nuvens, fala-se na possibilidade de acessar arquivos e executar diferentes tarefas pela internet, isto é, não necessita da instalação de aplicativos para acessar diferentes serviços online para acessar o que precisa, uma vez que os dados não se encontram em um computador específico, mas sim em uma rede.

Quando se fala de nuvem é comum pensar que a ferramenta serve apenas para hospedar sites, esse de fato é o uso principal da nuvem na web, mas ela comporta uma gama de aplicativos muito mais ampla. A tecnologia de armazenamento em nuvem é muito mais fácil, acessível e de baixo custo do que se imagina. A nuvem oferece um controle de custos importante, dá previsibilidade das despesas que se terá no final do mês, permitindo controlar melhor os gastos.

2.    Gerenciamento de Clouds

Diversos requisitos devem ser considerados em um bom gerenciamento, como custos, planejamento de capacidade e segurança. Por isso, é importante utilizar ferramentas com multifuncionalidades que sejam capazes de aplicar políticas e automatizar e orquestrar serviços em todos os ambientes. O monitoramento de dados e workloads são requisitos essenciais de uma estratégia bem sucedida de multicloud, pois, sem uma gestão adequada do grande volume de informações que as empresas possuem atualmente, o ambiente pode acabar gerando mais gastos e riscos aos negócios.

Ao escolher as ferramentas que mais se adequam às necessidades da empresa, é necessário levar em consideração 05 pontos para maximizar os benefícios de um ambiente multicloud:

  • VISIBILIDADE DE DADOS

Por meio da nuvem, todos os colaboradores de uma empresa conseguem acessar facilmente os dados corporativos. Devido a isso, é importante reforçar a proteção e controlar os acessos dos usuários, atendendo aos requisitos de conformidade em relação ao armazenamento e gerenciamento de suas informações. Definir uma visibilidade dos dados é o primeiro passo para torná-los acessíveis em todo o ambiente virtual e ainda atender à conformidade sem que a corporação passe por algum risco na segurança;

 

  • PORTABILIDADE DE DADOS

Indisponibilidades na nuvem acontecem e as empresas precisam estar preparadas. Por isso, ao criar uma estratégia de multicloud, é necessário incluir a capacidade de migrar dados para a nuvem escolhida e, ainda, a capacidade de transportar as informações para outra plataforma, mesmo que seja dentro do próprio Data Center;

  • RECURSOS DE ARMAZENAMENTO DEFINIDO POR SOFTWARE O grande volume de dados novos gerados pela internet das coisas (IoT) implica em maiores gastos e dificuldade de atender as necessidades de armazenamento e análise. Essa tarefa se torna ainda mais complexa quando as informações estão em múltiplos ambientes na nuvem que possuem requisitos e protocolos de conexão diferentes. Ao utilizar recursos SDS (Software-Defined Storage) para estender o armazenamento para várias nuvens é possível que a empresa otimize seu desempenho e os gastos de Storage. O SDS potencializa o provisionamento dos recursos de armazenamento na nuvem e fornece uma forma segura de gerenciar os custos com as implementações nas nuvens;
  • QUESTÕES DE CONFORMIDADE

As obrigações e regulamentações para estar em conformidade tem se tornado cada dia mais complexas e rigorosas. Sem uma política de dados documentada, o processo fica ainda mais complexo devido ao ambiente fragmentado em múltiplas nuvens. Por isso, as empresas precisam transformar sua rotina de trabalho, adotando medidas de auditorias e regulamentações legais reforçadas;

  • PROTEÇÃO DE DADOS

Muitas empresas ainda acreditam na ideia de que a redundância existente na nuvem é suficiente para proteger suas informações e acabam não se preocupando com backups e recuperação de dados virtuais. Além disso, muitas vezes, utilizam ferramentas diferentes de proteção em cada nuvem, o que também não é adequado para esses ambientes. Por isso para contar com uma proteção efetiva dos dados, as corporações precisam garantir a confiabilidade, desempenho e disponibilidade por meio de uma estratégia de proteção abrangente ao invés de utilizar diferentes produtos pontuais para atender diferentes aspectos. Muitas empresas estão optando por trabalhar com infraestruturas de multicloud, entretanto, para poderem aproveitar todos os benefícios de cada plataforma é necessário contar com uma equipe preparada, além de ferramentas de gerenciamento eficientes e uma estratégia direcionada a esse tipo de ambiente. Apenas assim, será possível que elas consigam atender às novas demandas do mercado, ao mesmo tempo em que reduzem custos e riscos.

3.    Cloud Service Brokers

Não é simples montar esses ambientes heterogêneos de forma que o negócio explore o máximo dos seus benefícios, mantendo controle sobre o orçamento e desempenho. Prova disso, segundo é o número crescente de empresas que buscam intermediadores, também conhecidos como cloud brokers, que possam ajudá-las a traçar a melhor jornada para a nuvem.

Trata-se de um dos segmentos de serviço que mais crescem no Brasil e no mundo. Alguns provedores atuam em todas as etapas, desde o planejamento até a gestão do ambiente de TI, passando pela escolha de outras nuvens, se a própria não atender a algum objetivo específico do cliente. Eles também assumem o processo de migração. É uma mão na roda tanto para empresas que estão insatisfeitas com a gestão de sua nuvem quanto para as que desejam apostar no modelo, mas tem dúvidas sobre qual a melhor abordagem. De fato, entre as organizações que possuem alguma aplicação na Cloud, a maioria ainda tem dúvidas sobre quais processos de negócio devem migrar, para qual tipo de nuvem e de qual fornecedor.

Com um broker, em especial aqueles que atuam como integradores e fornecedores de nuvem e soluções de TI fim a fim, as empresas conseguem uma estratégia personalizada e contam com profissionais especializados para garantir o funcionamento otimizado e a atualização permanente do ambiente.

4.    Multicloud e os Serviços em Fatura Única

Um atrativo da computação em nuvem é a eliminação do chamado lock-in, que ocorre quando a organização fica presa a um só provedor porque a mudança implica custos muito alto, ainda que um único parceiro assuma a responsabilidade pela gestão e desempenho do processamento multicloud. Se a organização precisa de facilidade que só existe em outro lugar do mundo, o fornecedor conecta a própria nuvem a essa outra Cloud, e isso é transparente para o cliente.

Como benefício destaca-se a redução significativa de despesas administrativas da companhia. Os serviços que as empresas podem contratar incluem diagnóstico da sua TI, com avaliação das cargas de trabalho que devem ficar ou ir para a nuvem. Essa fase inclui levantamento de possíveis riscos dessa movimentação e culmina em um plano customizado para ajustes na arquitetura atual e migração para uma ou mais nuvens, de qualquer fornecedor que tenha o recurso mais adequado para a necessidade do negócio. Feita a migração, as rotinas administrativas, como criação de servidores, instalação de bancos de dados e criação de usuários passam para as mãos do gerenciador. Usando melhores práticas de DevOps, uma cultura de otimização de recursos, ele cuida da monitoração do ambiente, garantindo que o negócio tenha mais ou menos recursos computacionais, de forma automatizada.

Uma empresa que, em determinado período, venha a receber um grande volume de acessos ao seu site devido a uma ação esporádica, por exemplo, pode rapidamente distribuir cargas de trabalho entre milhares de servidores. A arquitetura pode se autoescalar conforme métricas predefinidas e é diminuída quando os acessos se normalizam. A empresa paga os recursos excedentes somente pelo tempo que os utilizou A companhia também fica apta a acompanhar, em tempo real, o orçamento individual de cada departamento. Com isso, consegue combater a chamada shadow IT, que ocorre quando áreas internas compram serviços de nuvem sem o conhecimento da TI.

Outro benefício é a fatura unificada. Não importa onde estejam as nuvens, a cobrança será uma só, em reais. Outras vantagens da administração unificada são:

  • Migração planejada e com menos riscos;
  • Movimentação livre de cargas de trabalho entre nuvens;
  • Fatura unificada em reais e controle de orçamentos por área;
  • Alteração, criação e remoção de ambientes de nuvem com rapidez e segurança.

5.    Multicloud: O melhor da Nuvem Privada da Nuvem Pública

O modelo multicloud é o que melhor atende às necessidades das empresas de todos os portes e segmentos. A nuvem híbrida mescla o que há de melhor nas nuvens públicas (escalabilidade e custos baixos) e privadas (controle interno de dados extremamente sensíveis, como transações financeiras, por exemplo), oferecendo ganho tecnológico aos negócios. Também quando a empresa precisa ganhar escalabilidade devido ao crescimento do negócio, uma multicloud é a melhor solução. Assim, utilizam-se as soluções e equipamentos já existentes para montar uma nuvem privada e uma nuvem pública para obter os recursos de que a empresa não dispõe.

Ao permitir que as cargas de trabalho se desloquem entre nuvens privadas e públicas, uma multicloud dá às empresas mais opções de implantação de dados e maior flexibilidade. A multicloud é particularmente valiosa para cargas de trabalho dinâmicas ou altamente mutáveis. Por exemplo, um sistema de entrada de pedidos que experimenta altas de demandas significativas durante um determinado período do mês é um bom candidato a ser armazenado num ambiente multicloud. O aplicativo pode ser executado em nuvem privada, pode acessar recursos de computação adicionais a partir de uma nuvem pública quando necessário. A ponte entre os recursos da nuvem privada e da pública exige a implementação de uma nuvem híbrida.

6.    A Preparação para o Modelo Multicloud

Nem todas as empresas que utilizam algum serviço de cloud pública e privada tem uma multicloud. Ao invés disso, este tipo de a nuvem é um ambiente onde os serviços públicos e privados são utilizados em conjunto para criar valor ao negócio.

Além de conhecer as necessidades, portanto, é preciso entender como esta junção ajudará o negócio e a disponibilização do auxílio de um bom provedor de serviços de cloud. Nesse sentido, é preciso avaliar não somente as capacidades técnicas, mas também a reputação do fornecedor, sua imagem no mercado e os clientes que ele já atende.

Mais do que adquirir um serviço de multicloud, é preciso que tanto a TI quanto as outras áreas de negócio estejam prontas para a mudança de abordagem e adequações à mudança. Como tudo que gera transformações, estamos falando de alterações na cultura organizacional em relação a este serviço imprescindível.

* Lenildo Morais é Mestre em Ciência da Computação pelo Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco. Pesquisador do Laboratório de Tecnologias de Investigação ASSERT – Sistema Avançado e Engenharia de Software, é também Gerente de Projetos da Ustore – Empresa do Porto Digital de Pernambuco, e membro do conselho editorial da Channel 360°

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O que muda com a sanção da Lei Geral de Proteção de Dados  

Por Isabela Moreira Vilhalba, especializada em Propriedade Intelectual e sócia do Saiani & Saglietti Advogados

Em 14 de agosto, foi sancionada pelo Presidente Michel Temer, com vetos parciais, a Lei Geral de Proteção de Dados (Lei 13.709 de 2018), conforme publicação do Diário Oficial da União em 15 de agosto.

O veto presidencial excluiu as sanções administrativas de suspensão parcial ou total do funcionamento do banco de dados, suspensão do exercício da atividade de tratamento dos dados pessoais e de proibição parcial ou total do exercício de atividades relacionadas a tratamento de dados.

Adicionalmente, a versão sancionada da Lei exclui certas disposições relativas ao tratamento de dados pelo Poder Público, como a que previa o sigilo e a proibição de compartilhamento de dados pessoais de requerentes de acesso a informação com base na Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, bem como a exigência de publicidade na comunicação ou uso compartilhado de dados pessoais entre órgãos e entidades de direito público.

O veto de maior destaque, contudo, foi a exclusão das disposições relativas à criação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), bem como do Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade.

A redação da LGPD aprovada pelo Senado previa a criação da ANPD como autarquia vinculada ao Ministério da Justiça que teria como principais funções zelar pela proteção de dados pessoais e fiscalizar e aplicar sanções em caso de descumprimento da legislação aplicável.

A razão para o veto à ANPD foi o alegado vício de iniciativa para sua criação, por ser resultante de ato do Poder Legislativo. Contudo, o Presidente já se manifestou no sentido de que apresentará outro projeto de lei especificamente para a criação da autoridade, no mesmo sentido do que havia sido aprovado pelo Senado.

Não obstante as discussões que devem acontecer no decorrer dos próximos meses sobre o regime de atuação da entidade fiscalizadora da LGPD e suas atribuições, já foi iniciado o prazo para que as empresas entrem em conformidade com a nova lei.

As empresas terão 18 meses para a regularização de suas atividades, o que exigirá mudanças técnicas, procedimentais e culturais consideráveis.

A principal consequência é a exigência de maior transparência em relação ao tratamento de dados, devendo as empresas estar preparadas para fornecer aos titulares informações sobre o tratamento realizado, permitir acesso aos dados e efetuar correções apontadas pelos titulares, bem como excluir tais dados nos casos previstos por lei, inclusive em casos de revogação do consentimento. Adicionalmente, os titulares de dados pessoais passam a ter direito a portabilidade dos dados de um fornecedor para o outro.

As empresas deverão respeitar as hipóteses legais para o tratamento de dados pessoais, dos quais destaca-se a obtenção de consentimento, livre, informado e inequívoco do titular dos dados. Apesar da lei prever a hipótese de tratamento em razão de interesse legítimo do controlador, esse tratamento não poderá prevalecer sobre os direitos e liberdades fundamentais do titular.

A partir da entrada em vigor da lei, as empresas devem tratar somente o mínimo de dados necessários para a realização de suas finalidades, devendo ainda eliminar tais dados após a finalidade para os quais estes foram coletados ter sido concluída, ou caso tais dados deixem de ser necessários ou pertinentes para tal finalidade.

O tratamento dos dados pessoais de crianças passa a exigir o consentimento específico e em destaque de ao menos um dos pais ou responsável legal da criança.

As empresas deverão registrar todas as atividades de tratamento realizadas, incluindo informações relativas ao tipo de dado, o prazo do tratamento e a fundamentação para este. Também será necessário elaborar relatórios de impacto à proteção de dados pessoais em relação a tratamentos que podem gerar riscos às liberdades civis e aos direitos fundamentais dos titulares, bem como medidas, salvaguardas e mecanismos de mitigação.

As empresas deverão ainda indicar um Data Protection Officer (oficial de proteção de dados, definido na LGPD como “encarregado”), cuja função será de servir como canal de comunicação entre os titulares dos dados e a empresa, bem como supervisionar e fiscalizar o cumprimento das regras de proteção de dados pessoais por esta. De acordo com a Lei, a autoridade nacional a ser criada poderá estabelecer hipóteses de dispensa dessa exigência, conforme a natureza e o porte da entidade ou o volume de operações de tratamento de dados.

A transferência internacional de dados pessoais também foi regulamentada, sendo permitida somente em casos específicos, dos quais destaca-se a obtenção de consentimento específico do titular, a existência de regras no país ou organização de destino que proporcionem proteção em grau adequado ao previsto em lei ou mediante a comprovação pelo controlador de garantias de cumprimento dos princípios, dos direitos do titular e do regime de proteção de dados previstos na LGPD, incluindo através de cláusulas-padrão contratuais e normas corporativas globais.

A segurança dos dados também possui destaque, devendo ser adotados padrões de segurança no processo de tratamento dos dados, bem como práticas de proteção de dados pessoais desde a concepção dos produtos e serviços até a sua efetiva execução.

Por fim, incidentes de segurança de informação passarão a ter que ser notificados à autoridade ser criada, devendo as empresas ainda notificar tais incidentes aos titulares e ao público, conforme a gravidade da natureza do incidente.

Vale destacar que a Lei prevê sanções administrativas às empresas que descumprirem as disposições da LGPD, dentre as quais multa simples ou diária de até 2% do faturamento da pessoa jurídica de direito privado, grupo ou conglomerado no Brasil no seu último exercício, excluídos os tributos, limitada, no total, a R$ 50.000.000,00 por infração.

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IoT e a nova fronteira para os ISPs regionais no Brasil

Por Vanderlei Rigatieri – CEO da WDC Networks

Há 15 anos deixei o mundo executivo de multinacional e me aventurei no empreendedorismo. E, por sorte, conheci um mercado incrível, o dos provedores regionais de internet. Essas empresas são um mito na história da banda larga brasileira e recheadas de pessoas destemidas, determinadas e com espírito de inovação.

Enquanto a economia brasileira passava por altos e baixos feito uma montanha russa, eles criavam um modelo de negócio nunca visto em nenhum país. Eles não copiaram modelos americanos, europeus ou de outros países, mas sim faziam a sua própria história. Começaram comprando links das operadoras e distribuindo acesso via redes sem fio para usuários sedentos por internet. Enquanto as políticas governamentais investiam nos barões das teles criando incentivos para universalizar o acesso, eles faziam a universalização sozinhos, levando internet às pessoas de baixa renda.

Viajei 50 mil quilômetros pelo Brasil em 2012 para conhece-los de perto e me apaixonei por esse mercado. Construí minha empresa desenvolvendo tecnologia que atendesse esses milhares de sobreviventes. Fiz grandes amigos, conheci suas famílias, fui pescar com alguns, viajei com outros para o exterior, apresentei fabricantes e criamos um mercado impressionante juntos. Tenho orgulho desses empresários, que na época nem se consideravam importantes, mas que saboreavam o gosto amargo da excluídos.

De lá para cá, eles cresceram, compraram suas pick-ups 4×4, investiram suas economias e, hoje, são os protagonistas da internet banda larga no Brasil. Construíram redes de fibra ótica numa velocidade maior que as grandes operadoras, se organizaram em associações de classe, conseguiram chamar a atenção de investidores profissionais e estão criando uma infraestrutura invejável. São a historia viva. Que orgulho!

Em 2018 estamos vendo uma transformação enorme, pois as suas redes estão robustas, e seus assinantes felizes.

Mas, qual será a próxima fase?

A internet das coisas (IoT) vai ser a próxima fronteira a ser desbravada por esses conquistadores, que já têm a confiança de seus assinantes e a capacidade técnica. Agora, precisamos muni-los de tecnologia – e somos aficionados por novidades.

As famílias perceberam que a tecnologia é um dos trampolins de crescimento, e temos que prepará-las para invadir as casas de seus assinantes oferecendo automação, eficiência energética, segurança da informação e ainda mais presença econômica. O Brasil gosta de tecnologia, somos aficionados por smartphones, mídias sociais… gostamos de inovação.

Olhando para as tendências, sabemos que os empregos tradicionais e repetitivos estão em perigo. Temos que preparar as novas gerações pra o futuro, e não será o governo responsável por isso. Teremos mais empregos de analistas, programadores e profissionais de tecnologia, e menos trabalhadores repetitivos. A internet e a automação industrial vão exigir novos profissionais. Será dentro de casa que vamos nos preparar para o futuro.

O brasileiro quer a tecnologia, mas, diferentemente do americano, quer que alguém instale seus produtos, configure sua rede wifi, instale as cortinas automatizadas, crie os sistemas de som, automatize o ar condicionado, configure o alarme, as câmeras de vigilância, as fechaduras com biometria, enfim teremos muita necessidade de instaladores capacitados nas novas tecnologias.

A WDC criou a SmartWDC para promover essas tecnologias e capacitar os profissionais do futuro. Os provedores regionais são o melhor canal para isso.

Queremos abrir os olhos dos provedores para essa nova realidade e oportunidade, criando uma oferta de produtos inovadores, um modelo de negócio pronto e testado no mundo para criar mais um negócio: as franquias de lojas Smart, que serão instrumentos de inovação.

Mais uma vez acredito no potencial desses empresários e estamos nos preparando para criar um novo ambiente de negócios, disruptivos, sintonizados com o mundo.

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Cinco motivos para repensar a tecnologia em sua escola

*Por Beni Kuhn – Fundador da Colaborativa

O ambiente escolar é merecedor de infraestrutura de primeira linha. Primeiro, porque nele estão os alunos que precisam constantemente de motivação e estímulo para frequentarem a escola. Sim, a escola precisa ser o ambiente que favorece a criatividade e que oferece as ferramentas necessárias para isto, pois os estudantes milênios apresentam novos desafios e entre eles, o principal:  eles gostam e precisam interagir com o conteúdo, fazer parte do meio e a tecnologia permite inserir o aluno ora como personagem, ora como protagonista em qualquer contexto. E um segundo motivo muito importante e que só a tecnologia permite: é a atualização e ampliação de horizontes, tanto dos professores quanto dos alunos; ambos estarão sempre à frente do seu universo, meio social e intelectual, se a tecnologia estiver disponível e a serviço do conhecimento.

Dentre as inúmeras vantagens sobre os reais motivos para investir em tecnologia, destacamos alguns importantes:

1 – Desafio e estímulo – uma escola equipada atende esses requisitos e abre um leque de possibilidades para exploração intelectual e psicossocial;

2 – Ampliação de competência dos docentes – A tecnologia é o principal parceiro dos professores na capacitação e aprimoramento profissional;

3 – Vivemos na era da velocidade, tudo ao mesmo tempo e agora, portanto alunos familiarizados com a tecnologia crescem profissionalmente mais preparados para a era da informação digital;

4 – Um ambiente escolar bem equipado traz para a sala de aula o mundo inteiro, proporciona ao aluno uma viagem na palma da mão ou na ponta dos dedos – enriquecimento cultural;

5 – Preparar os alunos para profissões que ainda não existem. Recursos como simulações, realidade virtual, análise de dados, aprendizagem colaborativa e adaptativa e robótica, são alguns exemplos, de como a tecnologia na escola aproximará nossos alunos da realidade que permeará o mercado de trabalho das próximas gerações.

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Open Banking: um caminho sem volta

Por Carlos Augusto Oliveira – CIO Banco Original

É inegável a transformação que o uso da tecnologia trouxe – e continua trazendo – à medida que novos avanços são implementados para todos os segmentos. Com o setor financeiro não podia ser diferente, basta pensar em como era um banco há 10 ou 15 anos. Qual era o consumo de cheques? E a oferta de serviços de Mobile Bank ? Junto com esse novo consumidor surgiu a necessidade de criar novos serviços e alternativas de uso. Uma pesquisa global recente elaborada pela consultoria EY aponta que a implementação de serviços digitais já é uma prioridade, em 2018, para 85% das 221 instituições financeiras entrevistadas. O estudo mostrou ainda que 70% delas planejam investir em tecnologia para fortalecer seu posicionamento competitivo e ganhar mercado.

E para isso acontecer, é preciso evoluir na forma como os bancos encaram a tecnologia e os dados dos clientes. Um exemplo é a adoção do Open Banking, plataforma que permite a integração de aplicativos com os serviços por meio da abertura de interfaces de programação de aplicativos.

As APIs, como são conhecidas, é um elemento chave da transformação digital dos bancos, uma vez que essa é uma forma de permitir que os desenvolvedores de outras empresas de tecnologia criem diversas aplicações e inovações, focadas nas experiências e na forma como os clientes interagem com banco. Elas permitem, portanto, que empresas e desenvolvedores conectem os seus sistemas aos do banco, compartilhem dados e realizem transações de forma automatizada.

Ao expor dados em uma camada de integração, o Banco também pode se integrar a novas cadeias de serviços, viabilizando o transito de informações através de outras plataformas de serviço. Ou seja, o correntista pode acessar suas informações bancárias por aplicativos de outras empresas e não somente pelo banco. Onde ele estiver e assim preferir acessar.

O Open Banking simplifica as integrações das aplicações na nuvem, no mobile e ainda possibilita a redução dos custos operacionais tanto para o banco quanto para seus parceiros. Ao facilitar a criação de novas aplicações por terceiros, o banco melhora a experiência dos clientes e amplia as possibilidades de receita sem ter que arcar com todos os custos de desenvolver esses novos serviços. É uma situação “ganha, ganha”.

As barreiras a serem superadas estão se tornando cada vez menores. Questões como segurança, que sempre foi um dos principais desafios quando o assunto é abrir os dados, é uma delas. Outro ponto importante é a regulamentação. Na Europa, por exemplo, entrou em vigor este ano a PSD2 (ou payment services revised directive). Agora, todas as organizações reguladas pelo Banco Central Europeu terão que disponibilizar APIs abertas, ou seja, adotar a plataforma do Open Banking, viabilizando a interoperabilidade com outras industrias, como comercio eletrônico e diversas Fintechs, ampliando a possibilidade de acesso e oferta de serviços inovadores aos seus clientes. Vários países estão no mesmo caminho, estudando e legislando sobre este assunto. No Brasil, apesar de ainda não termos regulamentação específica e a maioria dos bancos atuar de forma conservadora, algumas instituições estão alinhados com esta tendência, e, já oferecem APIs abertas, possuindo casos concretos de bom uso da ferramenta.

Porém antes de abrir os dados é preciso estruturar a segurança, a governança corporativa, mudar processos e até estruturas organizacionais. Existem riscos novos e desafios neste processo irreversível. Mas talvez o maior entrave ainda esteja na cultura. Trata-se, portanto, como toda inovação de uma real ameaça ou uma grande oportunidade, mas certamente tremenda mudança de como o Mercado Financeiro vinha operando e protegendo os dados dos clientes como ativo exclusivo da instituição.

Uma coisa é fato: o avanço é implacável, independentemente do nível de maturidade digital e do grau de abertura. E quem não aderir, ou demorar muito para entrar nesse barco, poderá perder clientes e espaço para os concorrentes não tradicionais. Talvez muito antes e mais rápido do que hoje podemos imaginar…

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Hora de organizar a robotização nas empresas

*Por Fernando Gamboa – diretor sênior do gA (Grupo ASSA), consultoria líder em Digital Business Transformation

A tecnologia robótica  chegou em definitivo ao mundo dos negócios. Diversas empresas começam a automatizar tarefas repetitivas, executadas pela força de trabalho tradicional, a fim de otimizar tempo, reduzir esforço manual e diminuir custos fixos. Tornou-se impensável planejar novos investimentos sem ter em perspectiva a combinação de melhoria de produtividade e da qualidade com o aumento dos lucros e o corte de gastos.

O avanço da automação  – uma tendência mundial que deverá substituir cerca de 140 milhões de trabalhadores FTEs ( Full-time equivalente) até 2020 – obriga os gestores e demais profissionais das áreas de Administração, Financeira, Recursos Humanos e TI a terem novos instrumentos para lidar com a chegada dos robôs no ambiente de trabalho.

Um deles, já em uso como  plataforma de RPA – Robotic Process Automation, para  gerenciar a robotização de processos nas empresas. Segundo recentes pesquisas da Senior Managers Within the IT industry, quase 60% dos profissionais seniores de TI já estão implementando ou mesmo executando programas RPA. As expectativas são elevadas: 80% dos profissionais de TI esperam economias de até 60% devido a programas de robotização. Além disso, segundo o Gartner, espera-se uma redução de até 65% dos funcionários nos centros de serviços compartilhados de negócios por aumento da automação e utilização de inteligência artificial até 2020.

A tecnologia robótica existente vai acelerar a automação de tarefas repetitivas, de alto volume, que podem ser conduzidas por regras de negócio e não precisam de intuição, e replicar as interações humanas com sistemas informatizados na interface do usuário. Nesta função, a atuação está concentrada em três frentes principais: 1) Na automação “atendida” pela força de trabalho humana, atividades  como  fechamento de formulário ou transferência de dados, por exemplo,  permitem aos usuários finais interagirem com clientes ou priorizarem as tarefas mais importantes; 2) Automação Híbrida, permite que os seres humanos e robôs trabalhem eficientemente juntos, automatizando processos de negócios de ponta a ponta; e 3) Força de Trabalho Virtual, robôs automatizam grande volume, processos de negócios repetitivos, demorados, trabalhando 24/7 com uma precisão impecável – resultando em ganhos de produtividade imediata e ROI significativo.

Entre as principais funções,  a nova plataforma permite o monitoramento em tempo real e melhoria contínua do RPA visando a obtenção de resultados sustentáveis, além de aplicar inteligência para monitorar o desempenho dos robôs, expandir processos, gerenciar mudanças e comunicações em andamento.

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Os desafios da melhor oferta

*Por Fábio Baltazar – diretor de Marketing e Produtos da SND.

 

Nos últimos anos, você deve ter ouvido falar, e muito, sobre uma série de tecnologias e dispositivos em franco crescimento nas vendas. Para que esses números pudessem acontecer, obviamente, foi preciso que os produtos chegassem às revendas e aos clientes. Mas, o que pouca gente sabe é o papel que o distribuidor tem que desempenhar para conciliar um portfólio adequado para atender tendências e novos negócios.

Formar um portfólio competitivo é, antes de tudo, uma tarefa estratégica. Afinal, mais do que uma ponte entre fabricantes e revendas, a distribuição deve ter como compromisso ser uma facilitadora de oportunidades em todas as pontas.

Nesse cenário, para garantir uma lista de opções atraente, a distribuidora precisa, entre outros pontos, amarrar acordos com as principais fornecedoras do mercado e, ao mesmo tempo, pensar em quais produtos e serviços as revendas realmente necessitam (e querem ter) para gerar maior rentabilidade e destaque nas vendas.

Uma preocupação cada vez mais recorrente, tem sido oferecer pacotes e oportunidades que realmente agreguem valor às demandas diárias dos canais, com opções que permitam explorarem outras formas de receita, a partir da venda de serviços complementares.

Segundo dados do último Censo de Revendas desenvolvido pela Abradisti, mais da metade dos revendedores, hoje, desejam ampliar sua gama de serviços adicionais. Em outras palavras, mais do que investir em itens e tecnologias específicas, as revendas querem ter acesso a opções lucrativas e alinhadas com os anseios e necessidades dos clientes finais.

Isso quer dizer que a distribuidora precisa entender de tecnologia e das condições de negócios como um todo. Antes de fechar com um novo fornecedor, é fundamental analisar se este produto tem aderência aos parceiros e ao portfólio atual da distribuidora, e como ele pode ajudar a criar melhores condições de retorno para ambos os lados.

Existem muitas questões envolvidas no processo de expansão do portfólio de uma distribuidora.

São várias etapas: desde análises de estudo de mercado até fazer contas para entender quais os impactos (positivos ou negativos) para todos os envolvidos nesta cadeia.

Além de análises, há questões práticas que precisam ser levadas em conta na hora de se ampliar o leque de produtos na distribuição. A discussão vai, como dito antes, muito além de comprar o que é tendência de mercado e o que está sendo consumido na ponta.

Em tempos de crise e de desvalorização do real, é essencial considerar valores e condições de importação (quando necessário) e de investimento geral. Um novo projeto tem que ser assertivo, sempre.

Até porque o trabalho não termina quando decidimos ter um novo produto em nosso portfólio. Ao fecharmos uma parceria, começa uma outra etapa, onde a equipe de especialistas da distribuidora tem que entender como tirar o melhor rendimento deste novo item dentro da empresa, dando suporte completo ao time de vendas caso surjam dúvidas.

A missão ainda envolve a interação com as equipes de marketing para desenvolver a melhor estratégia de divulgação, controlar rebates, avaliar preço de mercado, conhecer o que os concorrentes estão fazendo etc. Na prática, o sucesso da expansão da oferta (e dos gerentes de Produtos) depende de inteligência, estrutura e resiliência para buscar o melhor desempenho.

Em síntese, montar um bom mix de ofertas é essencial para quem quer ter bons resultados no ambiente de TI. Para isso, é necessário conhecer os objetivos da empresa, dos parceiros e as novidades reais à disposição do mercado. A receita nunca está pronta, mas a escolha do ambiente e do modo de preparo pode ser tão ou mais importante que a decisão de quais são os ingredientes a serem usados.

Especialistas

Digitalização inclusiva

Por Adelson de Sousa – Presidente do Conselho Estratégico do Movimento Brasil Digital e Presidente Executivo da IT Mídia

A dias do segundo turno, candidatos e seus coordenadores de campanha usam cada segundo disponível para apresentar aos eleitores motivos para receberem seus votos. Em busca de confiança, tecem discursos acalorados com suas propostas para resolver questões estruturais em educação, saúde, segurança, desemprego e economia, entre outros. É uma pena que, apesar da energia em busca de eleitorado, muitas dessas sugestões estão presas a raciocínios ultrapassados e distantes das mudanças necessárias para alavancar a economia brasileira e gerar empregos.

Vivemos um momento com grande pulverização política. Entretanto, é imprescindível arregaçarmos as mangas e trabalharmos em conjunto para buscar soluções reais, aplicáveis e com retorno em curto e médio prazos. Atualmente, existem cerca de 250 mil vagas abertas para profissionais de tecnologia que não são preenchidas por falta de mão de obra qualificada. E estimativas do setor apontam que, até 2020, as oportunidades na área de tecnologia devem triplicar. Enquanto isso, 13 milhões de brasileiros encontram-se desempregados.

É para mudar este cenário que lançamos, em agosto, o Movimento Brasil Digital – Por um país inovador e inclusivo. Hoje, somos 27 grandes empresas, dos mais variados setores da economia, com o mesmo propósito: colocar a digitalização no centro da estratégia do país, de maneira inclusiva e humanizada, apoiando a formação da sociedade nas habilidades da Indústria 4.0 e preparando-a para os empregos do futuro, a fim de garantir a sustentação do crescimento econômico do país.

A digitalização está fortemente inserida nas políticas públicas de grandes economias do mundo, garantindo produtividade às empresas, competitividade internacional e serviços de qualidade aos cidadãos. Ao mesmo tempo, impõe desafios em áreas como educação, trabalho, sustentabilidade e políticas sociais. E o Brasil precisa, o quanto antes, vivenciar e se destacar nesse âmbito.

Por isso, buscamos articular o diálogo entre os setores público e privado, de maneira completamente apartidária, para discutir soluções de desenvolvimento digital a partir de propostas mapeadas em cinco dimensões estruturais: educação, empreendedorismo, infraestrutura, governo e inclusão social.

Em educação, é preciso garantir a inclusão e alfabetização digital de toda a população, principalmente entre as pessoas com baixo poder aquisitivo ou com acesso à tecnologia abaixo da média. Também é necessário prepará-las para as ocupações do futuro no mercado de trabalho.

Para fortalecer o empreendedorismo, apoiar o desenvolvimento de startups e incentivar a digitalização de pequenas e médias empresas. Investir em pesquisa e desenvolvimento, em projetos que envolvam governo e iniciativa privada, é essencial para garantir que o país desenvolva o conhecimento necessário para a transformação digital.

Na área de infraestrutura, é preciso solucionar problemas de cobertura e qualidade. Para crescer, o Brasil precisa garantir conectividade inclusive em regiões distantes dos centros empresariais, ampliando redes ópticas e melhorando os serviços de comunicação móvel. Vale ressaltar que também deve garantir a segurança e a privacidade dos dados dos usuários.

E, para que todas as sugestões acima saiam do papel, o governo deve se posicionar como indutor de novas tecnologias, usando-as não apenas como meio de entrega de serviços aos cidadãos, mas também como ferramenta de transformação da própria administração pública. Devem-se criar políticas públicas de apoio à digitalização, além de modernizar o ambiente legal e regulatório em áreas de segurança da informação, dados e mercado de trabalho.

Além disso, é importante desenvolver a digitalização de forma inclusiva, maximizando os benefícios tecnológicos para a sociedade, por meio da formação das pessoas, para que utilizem as novas tecnologias e integrem ocupações de trabalho inéditas. Com isso, é possível criar mais oportunidades e preparar a população para desenvolver as atividades em negócios da nova economia, bem como para ocupar postos de trabalho que surjam a partis das novas tecnologias.

Temos muito trabalho pela frente, mas ainda dá tempo de tornar o Brasil em um país de destaque no novo mundo digital. Do lado de cá, estamos desenvolvendo um plano de ação para a digitalização humanizada e inclusiva até 2025. Esperamos que nossos próximos governantes, de sua parte, façam o mesmo. Assim, poderemos nos transformar, além de beneficiários, em criadores e exportadores de novas tecnologias.

 

Especialistas

A LGPD, os serviços wi-fi e o futuro dos dados

*Por Walter Sabini Junior, sócio-fundador da FX Retail Analytics.

Os recentes escândalos de vazamentos de dados em redes sociais fizeram com que a maioria dos países apressassem suas resoluções para garantirem uma proteção maior à privacidade dos usuários. Em maio, por exemplo, a União Europeia regulamentou a lei conhecida como GDPR. Três meses depois, o governo brasileiro sancionou a Lei Geral de Proteção aos Dados para garantir uma maior transparência no trato com as informações digitais. Entretanto, diante dessa preocupação necessária, fica a indagação: qual o impacto dessas medidas em serviços que necessitam de redes wi-fi e que trabalham justamente com a troca de dados?

Hoje, é impensável imaginar o mundo sem as vantagens permitidas pela conexão sem fio. Dos smartphones ao próprio ato de consumo, nossa vida nunca mais foi a mesma: temos mais informações à disposição, nossos objetos estão cada vez mais conectados e diversos hábitos do nosso dia a dia foram automatizados e otimizados pelos equipamentos “inteligentes” que também se comunicam entre si. No entanto, para tudo isso acontecer, é necessária justamente a troca de informações sobre o comportamento dos usuários.

O compartilhamento de dados não chega a ser um problema para os brasileiros. Pesquisa da Kaspersky Lab, em 2017, mostra que 96% dos usuários do país compartilham suas informações digitalmente e 49% dos presentes em redes sociais deixam seus perfis no modo público. Além disso, 3% dos entrevistados ainda admitiram que compartilham dados confidenciais com pessoas que não conhecem, ignorando todas as recomendações de segurança digital.

Se o compartilhamento não chega a ser um incômodo, a sensação de impotência diante da falta de transparência na forma como estas informações são trabalhadas é o que irrita os cidadãos – e explica a busca por uma regulamentação. Muitas empresas abusam da confiança do usuário e disponibilizam seus dados comportamentais e demográficos a outras organizações sem a anuência do indivíduo. Ou pior, são coletados e armazenados sem que as pessoas fiquem sabendo. Uma experiência negativa já é suficiente para quebrar a confiança em todo o sistema.

Por outro lado, essas informações são vitais para as empresas aprimorarem a gestão e oferecerem os melhores produtos e serviços aos clientes. É inegável que uma boa experiência de compra passa pela capacidade da loja de entregar aquilo que a pessoa procura no momento certo e com uma ação adequada – o que só é possível a partir da análise de informações comportamentais coletadas anteriormente. No varejo físico, por exemplo, sensores conectados ao wi-fi trazem relatórios importantes sobre o fluxo de visitantes do local, permitindo a adoção de estratégias mais acuradas e condizentes com seu público-alvo.

Portanto, em um cenário em que a proteção aos dados tornou-se parte importante da discussão pública, cabe aos empresários terem bom senso para continuarem aperfeiçoando seus negócios a partir das informações digitais das pessoas. Na era da conexão wi-fi, é imprescindível ter um perfil completo de seus clientes. Por isso, respeite a privacidade dos usuários, trabalhe apenas com dados coletados de forma segura e honesta e, principalmente, transforme todo esse conteúdo em experiências positivas para as pessoas.

*Walter Sabini Junior é sócio-fundador da FX Retail Analytics

Especialistas

As 5 principais razões pelas quais o CIO deve se preocupar com os testes de software

Qualquer pessoa que atue em desenvolvimento de produto sabe muito bem a importância do controle de qualidade. Mas, e aquelas que estão no nível executivo?

Os CIOs e CTOs podem ter prioridades diferentes, mas no final do dia eles devem se preocupar com os testes de software tanto quanto todos os que atuam com o desenvolvimento das aplicações. Isso ocorre porque os testes gerenciados adequadamente – aqueles que são consistentes, reproduzíveis e ocorrem com antecedência e com frequência – podem, na verdade, acelerar o tempo de comercialização do produto e evitar softwares com bugs. Como resultado, a estratégia correta de testes de software pode permitir aumentar a receita, impulsionar a inovação e evitar erros dispendiosos.

Com isso em mente, como você, desenvolvedor, pode convencer seu CIO (ou CTO) de que eles devem se preocupar com os testes? Comece, então, com estes cinco pontos de interesse:

1. Redução de Riscos do Negócio

Se sua empresa não testar novas versões de software (ou não testá-las corretamente), isso significa que seus clientes farão testes para você. E se seus clientes encontrarem um problema, é provável que eles não fiquem felizes.

Embora existam vários defensores dos testes durante o percurso, com o produto já em operação comercial, essa abordagem pode se mostrar altamente arriscada, especialmente se o software lida com qualquer tipo de dados confidenciais. E uma abordagem à esquerda (durante o processo de desenvolvimento) se mostra ser mais eficaz para testes em DevOps. O que importa? O teste adequado do software pode reduzir o risco, diminuindo a probabilidade de o seu negócio entregar para o mercado um aplicativo com bugs que podem deixar os clientes insatisfeitos, conduzindo à perda de receita ou, o pior de tudo, com graves violações de dados.

2. Medir o ROI durante o desenvolvimento

O CIO provavelmente gasta uma quantidade significativa de dinheiro em desenvolvimento. Se a empresa não atua em conjunto com o desenvolvimento e a equipes de testes, é como investir dinheiro em um projeto sem parar para ver os resultados.

Os CIOs querem garantir que se obtenha o retorno adequado de todo o dinheiro que gastam em desenvolvimento e engenharia, e a única maneira de fazer isso (sem mencionar que esta é a única maneira de se fazer entender a quem faz um bom trabalho) é testar o que cada equipe constrói. Caso contrário, o CIO simplesmente terá que aceitar a palavra dos desenvolvedores de que a equipe construiu o que se deveria, que construiu e entregou totalmente no plano do projeto.

3. Timelines Melhoradas

Historicamente, o teste de software ocupa a última fase em um plano de desenvolvimento. Se esse for o caso, o teste tem um impacto imediato em fatores como a data de lançamento e o tempo total de lançamento no mercado, que são críticos para o sucesso do negócio, especialmente quando a concorrência é alta.

No entanto, se sua equipe não tiver um processo de teste bem gerenciado, que seja consistente com a automação, muita coisa pode dar errada. Por exemplo, algo tão simples quanto um testador ficar doente pode acabar com todo o final do cronograma de produção. Em vez disso, os CIOs devem investir para tornar os testes mais repetitivos possíveis para evitar esses tipos de atrasos imprevistos.

Levando isso um passo adiante, se sua equipe abraçar um turno para que os testes ocorram mais cedo e com mais frequência ao longo do processo de desenvolvimento, isso pode realmente ajudar a acelerar o tempo de entrada do produto no mercado, o time-to-market, levando a uma economia de tempo ainda maior.

4. Maior Eficiência

O CIO também deve se preocupar com mais do que apenas os testes em andamento – ele, ou ela, deve se preocupar em ter e poder contar com testadores dedicados. Se você assumir que o teste precisa ser feito, independentemente de você ter bons testadores e processos repetitivos, isso significa que você pode muito bem acabar com desenvolvedores que também lidam com testes. Essa duplicação pode parecer ideal na teoria, mas pode, na verdade, diminuir a eficiência.

Os desenvolvedores são recursos caros, cuja principal responsabilidade é escrever código, e fazer a mudança de “escrever código” para “teste de código” requer uma mentalidade completamente diferente. Embora ter desenvolvedores que também possam realizar os testes seja um grande benefício, pedir a esses profissionais que mudem este contexto regularmente pode diminuir, de fato, a eficiência. Especialmente para grandes organizações, aquelas que criam softwares em grande escala, há enormes ganhos de eficiência provenientes de testes dedicados.

5. Feedback melhorados

Na mesma linha de raciocínio, investir em testadores dedicados e experientes, que podem atuar como especialistas no assunto, oferece inúmeros benefícios, criando um ciclo de feedback efetivo em tempo real. Por exemplo, esses especialistas podem fornecer comentários sobre áreas do software que podem precisar de atenção extra ou simplesmente não são viáveis, e podem fazê-lo logo no início do projeto. Esse tempo faz com que seja mais barato em termos de tempo e dinheiro fazer as alterações necessárias.

Por outro lado, se você não fizer nenhum teste ou tiver testes conduzidos por desenvolvedores (que normalmente não são capazes de assumir a perspectiva dos usuários finais, da mesma forma que os testadores experientes), você não terá esse feedback até que o software entre chegue ao mercado e nas mãos dos usuários finais. E quando esse feedback chegar, fazer alterações necessárias pode custar caro justamente porque você já dedicou muito tempo e dinheiro para criar algo que, na verdade, não atende adequadamente às necessidades dos seus clientes.

Ajude o CIO a entender (e melhorar) o impacto nos negócios dos testes

De riscos e custos reduzidos até o aumento da eficiência, há inúmeros benefícios advindos da atenção e do investimento em testes. Como resultado, é importante para todos, desde a equipe de desenvolvimento de produtos até o C-Level, a se preocuparem com os testes. E quando isso acontece, toda a sua organização pode trabalhar em conjunto para criar um ambiente de testes bem gerenciado que tenha um impacto positivo nos resultados finais da empresa.

*Kevin Dunne é VP de Estratégia e Desenvolvimento de Negócios da QASymphony

Especialistas

Tudo como Serviço: 5 vantagens de optar por essa nova forma de consumir tecnologia

É fato que a computação na nuvem vem mudando a forma como consumimos soluções. O que era produto, hoje é consumido como serviço. O termo originado do inglês Everything as a Service (XaaS) tem provocado mudanças substanciais não só nas relações comerciais como tem também quebrado paradigmas e até mudado a cultura das organizações. Segundo pesquisa da Cisco, 95% das empresas já utilizam algum tipo de serviço na nuvem e até 2020, 92% de todo o trabalho realizado pelas empresas será processado na nuvem.

Porém, embora a ideia de substituir os altos investimentos em software, hardware, infraestrutura e até em telefonia pela contratação de serviços baseados na nuvem esteja cada vez mais atraindo empresas de todos os portes e tamanhos, algumas dúvidas ainda permeiam esse caminho.  A pergunta principal é: essa mudança na forma de consumirmos TI é só mais uma tendência ou realmente traz vantagens?

Gostaria de elencar alguns pontos que enxergo como fundamentais e que devem ser colocados na balança para se optar pela estratégia Everything as a Service.

#1 Opex ao invés de Capex

Reduzir as despesas de capital ao eliminar a necessidade de criar e manter a infraestrutura de TI talvez seja uma das principais vantagens. Fora que, a possibilidade de se ter acesso a software e produtos tecnológicos por meio de pagamento de assinaturas periódicas e de escolher os mais diferentes tipos de recursos e condições sem precisar de especialistas para resolver os problemas, também elimina uma série de etapas e, o que é mais importante, de despesas.

#2 Adquirir somente o que preciso na hora que preciso

A praticidade e efetividade estão em consumir o serviço de acordo com a necessidade da organização, sem gastos que não sejam necessários. Com a adoção dos serviços na nuvem, o processo de combinar recursos de TI com as necessidades de negócios fica mais fácil e eficiente. Acessar tudo como serviço traz para as equipes de TI, por exemplo, a capacidade de provisionar servidores, armazenamento, memória e largura de banda e de trazer escalabilidade.

#3 Respostas e soluções mais rápidas

A mesma pesquisa da Cisco relata que 62% das empresas que já entraram na onda do tudo como serviço perceberam melhorias na velocidade de resposta com suas infraestruturas gerenciadas dessa forma. A integridade dos dados também é garantida, assim como o controle, uma vez que as informações estão mais próximas e a velocidade de acesso a elas é enorme. E com a segurança de que tudo estará disponível quando eu precisar.

#4 Tecnologia sempre em dia

Tudo como serviço é sinônimo de tudo sempre atualizado. Fazer um upgrade sem precisar dedicar um orçamento maior a isso.

# 5 O problema deixa de ser meu

Por último, mas não menos importante, está o fato de acabar com as tarefas rotineiras de monitoramento, manutenção e atualização de recursos de TI. E vamos convir que já que tecnologia não é seu core business, transferir essa responsabilidade para uma equipe de especialistas terceirizados é extremamente vantajoso, não só por eliminar investimentos em mão de obra, mas principalmente por reduzir as dores de cabeça. E, claro, contar com uma empresa especializada, agnóstica e com uma visão 360º vai sempre fazer a diferença.

*Silnei Kravaski é Diretor Executivo da Planus Cloud, Networking & Services